LIVROS QUE ESCREVI

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O CAMINHO MAIS LONGO PARA UM BANHO QUENTE

Sueli era a gostosa do Realengo. Nos arredores da Rua da Gazela com a Avenida do Canal só dava ela. Bundão, coxão, peitinhos de azeitona, cabelos quase até a cintura - crédito da Dona Célia do Stillus Coiffure. A pele da Sueli era suave como azeite de oliva extra virgem. Mas de virgem, só esta referência. Sueli já estava na vida há um tempo. Tinha então vinte e oito. Desde os dezessete dava uns pegas no William da barraca de bijouterias na praça central. Mas a boneca do William era também a gostosa do Dedé Fonseca, a macia do Vitinho Manula, a cheirosa do Otávio, a deliciosa do Dieiquisson e a rebolativa do Samuel. Sueli era democrática, alma livre, queria agradar a todos e ser agradada por todos. Uma dondoca, segundo dona Fátima. Uma puta, segundo a Viviane. Um problema social, segundo sô Manego. Um prêmio inatingível, segundo o sô Carlos.
Dia de sol e dia de sexta feira. O gingado inconfundível da boneca Sueli balança tanto sua bunda quanto o juízo do William. Passa lá, dá um beijinho na bochecha dele, é convidada para sair. Não diz nem que sim, nem que não. O cabelo da gostosa era para o Dedé Fonseca, a crina daquela potranca maravilhosa a qual ele não resistia. Sueli passou, jogou um beijinho para o Dedé, foi convidada para sair. Não disse nem que sim, nem que não.
Sueli continuava seu caminho para o trabalho. No ponto do 154 passa a moto do Vitinho. Ele pára, joga o cigarro no chão e parte para o ataque. “mais macia que algodão molhadinho com leite de rosas” O Vitinho era de uma classe impressionante! Chamou Sueli para sair à noite. Ela não disse que sim nem que não.

Mas o Dieiquisson... ah o Dieiquisson, gostoso, pele quente e com cor de chocolate, cheiroso e macio com perfume de musque... Irresistível. Dieiquisson foi no escrotório que Sueli trabalhava de recepcionista, entregou uma encomenda e sussurrou no ouvido da sua deliciosa. “Bora inaugurar a poltrona erótica do New Star.”
Sueli topou na hora. Não queria charme nem respeito dos outros pretendentes. Estava quebrada, não tinha grana para pagar a conta de luz. Banho frio nem pensar. Bora pro New Star. Sueli se acaba de amar o Dieiquisson, se satisfaz, deixa o cara feliz, relaxa na poltrona erótica, toma um banho quente e demorado, usa um vidro do hidratante “Flores abertas” do motel – os outros dois ela leva para casa. Sueli, cheirosa, pele macia, rebolativa, feliz e de banho quente. Sentia muito a Sueli, mas a CEDAE e da LIGHT teriam que esperar mais um pouquinho. Sueli já estava comprometida e com o orçamento apertado. A escova progressiva estava na validade e já havia marcado com a dona Célia há tempos! A conta da água não paga e o chuveiro frio eram sua última preocupação. Afinal, gostavam dela o Vitinho Manula, o Dedé Fonseca, o Samuel, o William, o Otávio e no final da rota, de volta o Dieiquisson.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Só um gostinho...

Outro livro meu por aí, espalhado aos ventos...
que encontre bons olhos, é o que posso esperar!

aí vai um teaser ou trailer da novidade.
quem quiser ler pode fazer o download aqui:

http://www.gatosabido.com.br/ebook-download/158477/22/poesia/nara-vidal-seu-amor-em-detalhes-aqui.html

aí vaio o trailerzinho:

http://www.youtube.com/watch?v=YwNW59U3QSo

obrigada e beijos meus.
Nara

A CURA por Camila Nascimento

      Adriana sabia que se fosse ao aniversário da Julinha, eram grandes as chances de dar de cara com Maurício, seu ex. Para Adriana, pior que ir a uma festa e dar de cara com o ex, só mesmo ir a uma festa, dar de cara com o ex e achar ele ótimo. Desde o rompimento, Adriana vinha investigando minuciosamente a vida de Maurício no Facebook. Ficara indignada ao saber que ele trocara de carro, vinha frequentando a academia cinco vezes por semana e matriculara-se numa escolinha de surf. Surf! Poxa, surf é sacanagem! Muita falta de respeito o ex namorado aparentar um corpo bronzeado e um rosto sem olheiras, ela pensava a cada foto "Com-a-galera" que ele postava (com a galera na praia, com a galera do trabalho, com a galera da academia...) Para Adriana, ex namorado bom é aquele que deforma - engordando ou emagrecendo, tanto faz - e mantém no rosto, pelo menos por quinze dias, uma expressão sem vida, que a gente olha e ri internamente, pensando "Bem feito, seu canalha!"
Faziam quinze dias que Adriana e Maurício haviam terminado o namoro de dois anos. Vivendo na mesma cidade e tendo 73 amigos em comum no Facebook, é claro que cedo ou tarde eles se encontrariam. Ambos sabiam disso. 
O problema é que quando a fatídica sexta-feira chegou, Adriana ainda não estava psicologicamente preparada.
Na dúvida, o desprezo!, ela pensou no instante em que viu Maurício surgir entre as mesas do bar, com uma caneca de chopp nas mãos. 
- Tudo bem com você? - ele perguntou, após cumprimentar Julinha, a aniversariante, e todas as pessoas da mesa, deixando Adriana por último, propositalmente - Bom te ver! - ele deu um sorriso humilde.
- Aham - Adriana respondeu totalmente desinteressada, desviando o olhar para o grupinho de amigas na outra ponta da mesa. 
Até os garçons ficaram sem graça.
No entanto, por experiência de outros carnavais, Maurício recebeu o desprezo com a maior dignidade. Sabia que depois de uma separação é preciso deixar a mulher sair por cima - ou pelo menos, achar que saiu -, especialmente, quando a decisão partiu do homem, como era o caso. O cara que não se mostra abalado com a separação, acaba com todas as chances de levar essa mulher para a cama outra vez, Maurício achava. E achava também que Adriana não era o tipo de ex namorada que se devia apagar o telefone da agenda, afinal sabe-se lá o dia de amanhã...
- E aí, o que tem feito de bom? - ele arriscou simpático, já na segunda caneca de chopp.
- Muitas coisas... - Adriana respondeu seca, fazendo brochar o que se esperava ser uma iniciativa de conversa.
Maurício virou a caneca. De uma só vez engoliu a cerveja e o orgulho.
- Ah, fala uma então. - ele insistiu, percebendo estranhamente que o desprezo de Adriana lhe aguçava o mais recôndito desejo.
Aliás, mais que isso, Mauricio percebeu que havia algo de muito atraente e perturbador em Adriana aquela noite. Seria o decote revelando mamilos túrgidos sem um sutiã para detê-los? Seriam as pernas torneadas escapando da minissaia? Ou seriam as duas coisas agora amplificadas pelo poder do álcool? 
- Beijo molhado! - Adriana exclamou e Maurício sentiu uma onda de choque e excitação. Foram necessários alguns segundos para ele compreender que a frase pertencia, na verdade, à conversa paralela que Adriana mantinha com as amigas do outro lado da mesa - O nome do esmalte que a Selminha da novela está usando é Beijo molhado! - ela completou e Maurício teve certeza absoluta que uma chicotada teria doído muito menos.
Ser esnobado por uma mulher faz parte da vida, Maurício pensou, mas ser esnobado pela ex-namorada é uma arte! O cara tem que ter muito autocontrole.
- Oi? Você disse alguma coisa? - Adriana perguntou a Maurício, totalmente aérea, após sua enésima tentativa. 
Quando o garçom trouxe aquela que poderia ser a quarta, quinta ou sexta rodada de bebidas, a humilhação aliada à visão da ex segurando a taça de vinho com a pontinha dos dedos fez o corpo de Maurício trepidar tal como a plataforma da Central do Brasil, às seis da tarde. Hipnotizado pelas unhas vermelhas que coroavam dedinhos tão delicados, Maurício perdeu a cabeça e a linha. Naquele momento, resolveu que faria qualquer coisa para ter novamente aqueles dez dedinhos arranhando seu corpo.
- Eu estou fazendo aulas de surf! - apelou, já no desespero.
De repente, Adriana virou-se para ele feito um girassol.
- Com a Ana Cláudia Andrade? - pela primeira vez na noite, Adriana o olhou nos olhos.
- Quem?
- Ana Cláudia Andrade. - disparou Adriana entre provocativa e impaciente.
- Quem é essa? - ele pareceu confuso.
- Não sei, ué. Eu li ontem, numa das suas atualizações no Facebook: "voltando da aula de surf com a Ana Cláudia Andrade" 
- Ah... a Cacau? - ele nem sabia que a Cacau se chamava Ana Cláudia Andrade, mas o ciúme de Adriana dava uma outra dinâmica à cena. Muito mais favorável! Maurício não quis perder a vantagem. - Ela é só uma amiga...
- A sua amiga "Cacau"... - o sarcasmo escorreu pelos lábios de Adriana - deve ter começado as aulas de surf bem recentemente, não? A julgar pela foto do perfil, achei ela bem gordinha para...
- Dri! - Maurício interrompeu, chamando-a pelo apelido carinhoso. Era um passo arriscado do tipo tudo ou nada, mas àquela altura ele já estava fazendo qualquer negócio.
Adriana não respondeu. Maurício achou um ótimo sinal.
- Dri - ele insistiu na estratégia, agora muito mais confiante.
- Que é? - de desinteressada à rancorosa, a posição de Adriana também revertera-se.
- Passei esses quinze dias esperando uma ligação sua, sabia?
- Ai, Maumau, não vamos complicar as coisas, tá? - ela disse com voz infantil.
Pronto! Era isso que Maurício queria. Só isso! Passara a noite inteira esperando por uma deixa! Agora que Adriana também usara o apelido carinhoso, nada mais podia dar errado. Não tinha como!
- Diz para mim que você não sentiu saudade. - ele pediu, encostando discretamente sua mão na dela.
- Não senti. - ela blefou e ele achou a mentira muito melhor que a sinceridade.
- Pois eu senti todos os dias. - Mauricio disse apaixonado, sem medo de parecer meloso. - Você não pensou em mim, Dri?
- Não.
- Nem um diazinho?
- Nem um
- Jura?
- Não. 
Eu amo você.
E Maurício não mentiu. Realmente a amava. Naquele momento amava Adriana mais que tudo na vida, mais até que o Flamengo! Se ela quisesse, ele faria qualquer loucura, rastejaria pela chão, tatuaria o nome de Adriana na testa, em itálico e negrito! Adriana não fazia a menor ideia, mas naquele momento tinha Maurício na palma da mão. Era amor sincero, de verdade, para valer. Os dois podiam sentir com a intensidade e a certeza que só as noites de sexta-feira permitem sentir.

***
 
Estranhamente, toda essa certeza dissipou-se seis horas depois, quando Adriana acordou na cama de Maurício. A mesma cama de sempre! Ele ainda dormia, mas de alguma forma foi possível sentir que as coisas não eram mais as mesmas... Estranho, muito estranho porque Adriana sofrera tanto com o fim do namoro, idealizara tantas vezes uma segunda chance com Maurício, no entanto, agora, todo aquele blá-blá-blá romântico soava tão chato, tão requentado! 
No início da noite Adriana estivera certa de seu amor por Maurício, mas agora, extravasada a tensão sexual, alguma coisa havia mudado.
- Zzzzzzz - foi o ronco de Maurício que a fez cair na real.
Adriana deu um pulo da cama, pegou o celular e há alguns poucos quilômetros dali, num outro celular chegava a seguinte mensagem:
"Julinhaaaaa, bem que vc falou... o Maurício não tem nada a ver comigo! Me livrei desse carma espiritual, amiga! Qual a boa mais tarde?"

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Vamos aprender com a bondade e o sucesso alheios!

Quem me conhece bem, sabe que tenho uma curiosidade infinita por tudo nesta vida, inclusive o as pessoas fazem, o que pensam, como fazem, o que pretendem e o que serão.
Através das benditas (benditas mesmo!) redes sociais, visito amigos reais e virtuais e me deparo com suas vidas rotineiras e seus feitos extraordinários.

Entre amizades virtuais, encontro a Tammy Luciano. Fiquei sabendo dela certamente mais tarde que a maioria do Brasil, porque moro na Europa há quase 11 anos e sei que muitas vezes, por não ser exposta involuntariamente, acabo por filtrar assuntos na correria do meu dia dia.

Porém, com minha aventura de escrever livros, fiquei conhecendo vários autores. Muitos talentos e muita gente boa. Dentro da nossa profissão (ou atividade) gosto de pensar que não há competição. Afinal, já que minha ideia é original, não preciso me preocupar com o que o outro vai escrever, certo?

Assim sendo, me jogo de cabeça na torcida por autores mais interessantes. Voltamos à Tammy Luciano (desculpa, Tammy, te pegar para Cristo!). Vi a entrevista dela no Jô, um enorme feito para uma escritora nacional jovem! (somos tantos!) e me apaixonei. Sua simplicidade e simpatia misturam-se com sua certa timidez e pronto! Fico eu seguindo a Tammy para lá e para cá, com laptop em punho!
Com isso, ao invés de me surpreender, acabei foi confirmando algo que já suspeitava há muito tempo:
quem pode e é, não precisa fazer força. Quem tem talento, não esconde seus pensamentos e tem medo dos colegas. Quem tem talento, abre o coração e a boca e conversa, troca ideia, dá atenção.

Às vezes sei que não sou exemplo ao responder perguntas e pessoas queridas que me escrevem. Mas sem justificar e já justificando, meus dois pimpolhos (um ainda bebezinho) tomaram minha vida e virei refém! A falta de tempo é uma desvantagem. Mas o barulhinho que acontece no Brasil com estes belos novos autores, me inspira e me diz que dá tempo, que posso esperar, quem tem espaço para todos e que dá para aprender com quem sabe!

Obrigada pela generosidade de vários de vocês, queridos colegas!
beijos meus.
Nara

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Texto inédito! APROVEITEM!!

O mundo dá voltas
por Camila Nascimento


Bebel e Rodrigão haviam se conhecido há algumas semanas, na fila do Fundo de Garantia da Caixa Econômica. Apesar de trabalharem no "Atendimento ao Consumidor" de diferentes empresas, ambos foram demitidos pela mesma razão: Corte de custos. 
Porém, há males na vida que vêm para o bem e Bebel sabia bem disso quando acordou na manhã daquela terça-feira abafada de março.
Depois de dois ônibus e cinco tentativas de adentrar a porta giratória do banco sem nenhum objeto metálico, Bebel pegou a senha 201, abriu a Folha Dirigida e pôs-se a esperar, pois o painel marcava o número 89. 
Entretanto, com a demora dos atendentes - na verdade, do atendente, porque só havia um - a velhinha que estava com a senha 200 se cansou de esperar e abandonou a fila, mas não sem antes entregar o papelzinho amassado ao rapazinho que acabara de adentrar o banco e fora premiado com o número 536. O último da fila! Rodrigão. 
- Oi. Desculpa aê. Não tô furando fila não, tá? Foi a coroinha ali que me deu o número. - Rodrigão justificou-se para Bebel, mostrando-lhe o papelzinho de número 200 já meio borrado pelo suor.
Convenhamos que se Rodrigão não havia acordado às seis da manhã para pegar um bom lugar, ele estava furando fila sim. Mas isso era  detalhe e Bebel nem se importou. Aliás, muito pelo contrário. Depois de uma ajeitadinha discreta no top tomara-que-caia e duas jogadinhas de cabelo para o lado, Bebel olhou para cima e falou baixinho: "Valeu, Deus!"
Conversa vai, conversa vem, telefones trocados, pretextos fajutos e muitas indiretas diretas, duas semanas depois o dia D finalmente chegou! E após um romântico rodízio de pizzas na Parmê, Rodrigão levou Bebel ao "Subindo pelas Paredes" para um tórrida noite de amor.
No dia seguinte, Rodrigão obviamente não ligou - "obviamente" era obviamente para ele, não para ela - mas Bebel não se fez de rogada e passou a mão no celular.
Ao que ele, é claro, não atendeu. (Mais uma vez, o "é claro" é claro para ele e não para ela)
Muito sagaz, Bebel tentou então uma ligação do telefone da sala, o qual Rodrigão não tinha o número. 
No primeiro toque ele atendeu.
Bebel sabia muito bem como esse jogo funcionava.
- Alô. 
- Alô. Sou eu, Bebel. A gente saiu ontem a noite...
Foi possível ouvir o embaraço impresso na voz sonolenta de Rodrigão.
- Ah... Opa! Tudo bem? 
- Eu te liguei agora pouco, mas você não atendeu...
- Sério? Estranho... Meu telefone não tocou aqui não...
Bebel também já conhecia essa desculpa. Achava pouco criativa, mas fazer o quê...?
- Bem, eu tô ligando porque... Olha, não vou fazer rodeios não, tá? Vou ser direta! Eu tô sozinha há o maior tempão e tá difícil pra caramba... Eu tô muito a fim de conhecer um cara especial, então pensei que talvez você pudesse me ajudar...
- Eu?
- É só responder à minha pesquisa de opinião.
- Comequié?
Bebel esclareceu didaticamente.
- É tipo pesquisa de satisfação. Daí com o seu feedback eu posso melhorar e ter mais chances com o próximo cara que pintar. Entendeu?
- Tô ligado... - Rodrigão respondeu desconfiado.
- Sabe aqueles caminhões que tem uma placa atrás escrito "Como estou dirigindo?" e um número para a pessoa ligar? Então, é a mesma lógica só que você nem precisa ligar. Eu mesmo tô ligando!
- Saquei...
- Ótimo. Vamos lá então à primeira pergunta: Onde foi que eu errei?
- Mas... péra aí... eu tenho que dizer assim? 
- Relaxa, para sua segurança essa ligação não está sendo gravada.
Rodrigão hesitou um pouco mas decidiu cooperar.
- Pô, sabe qual é? Te achei meio autoritária...
- Eu? - essa ideia nunca havia passado pela cabeça de Bebel.
- Ontem, por exemplo, no restaurante você foi logo escolhendo a mesa, as bebidas...
- Mas é que... 
- E eu também fiquei meio bolado que você nem se ofereceu para rachar a conta...
- Puxa, me desculpe... é que eu achei que tivesse subtendido que você ia...
- E eu ia! Mas você tinha que ter pelo menos oferecido, né?
- Ah tá... entao eu tenho que oferecer mesmo sabendo que o cara vai recusar?
- Isso aí. 
- Entendi... Só um minutinho que eu preciso anotar essas informações.
Com o telefone apoiado entre o ouvido e o ombro, Bebel anotava cada palavra de Rodrigão, feito uma escrevente da Polícia.
- Ah...! E tem outra coisa. Anota aí também! Você é aquele tipo de mulher que brinca com criancinhas no shopping, né? Pois é, não curti esse lance não... Acho a maior bandeira de mulher desesperada para ser mãe!
Bebel ouvia todos os detalhes soterrada entre a surpresa e a atenção.
- E... pô... tem mais uma parada aí que eu achei bem grave... 
- Nossa! Quanta coisa, né...?
- Nada a ver aquela calcinha bege, heim! 
- Não era bege, era chá! E era nova!
- As da minha avó também.

Armazenada todas as informações, Bebel e Rodrigão despediram-se com um "tchau" meio frio e nunca mais voltaram a se falar. Porém, meses se passaram e imaginem qual não foi a surpresa de Rodrigão ao esbarrar com Bebel no corredor da Vaicondeus agência de turismo, em seu primeiro dia de trabalho.
- Que coincidência! - Bebel exclamou.
Pode crer. - só restou a Rodrigão concordar, pois era mesmo uma baita coincidência. 
- Você estava desempregado desde aquela época?
- É, não estava aparecendo nada...
- Eu sei, a situação não está fácil... Foi sorte minha ter achado esse emprego aqui! É uma empresa bacana, sabe? Vai fazer três meses que estou aqui.
- Legal.
- Bom, então... Seja bem-vindo!
- Obrigado! E você, faz o que aqui mesmo?
- Eu vou ser sua chefe.  




Camila Nascimento é autora de "Você tem meia hora"